Relacionamentos conturbados. Psicóloga em Icaraí

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Psicóloga em Icaraí

Gente que se orgulha de ter um relacionamento conturbado – eu vejo a cada esquina. E você provavelmente também – isso se não for uma delas. Todo mundo fala que quer a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida. Mas ninguém faz por onde – é crise de ciúme de cá, revanchismo de lá, má vontade de acolá.
Enquanto isso, Cazuza se revira no túmulo. E o que era pra ser uma das melhores coisas da vida, acaba sendo um peso por vezes insustentável. Quem já enfrentou um término de relacionamento provavelmente sabe que esse peso é quase literal. A gente sofre litros, chora litros, bebe litros. Acha que vai morrer. Mas assim que descobre que a vida continua e que não se morre de amor, percebe que está umas cinco toneladas mais leve. Sem perder barriguinha, sem fazer puxar ferro, sem fazer pilates.
Reconhece essa sensação? Então, muito provavelmente você carregava o fardo do amor.  Que a vida é feita de escolhas todo mundo já está careca de saber. Sombra ou luz. Dez anos a mil ou mil anos a dez. Guerra ou paz. Vodca ou água de coco. E estar em um relacionamento destrutivo também é uma escolha absoluta e exclusivamente sua. “Ah, ele me diminui, mas ele é o amor da minha vida”. “As crises de ciúme dela destroem a minha semana, mas eu a amo mais do que tudo”. Essa história de amor incondicional pode até ser bacana se você tem quinze anos e nunca se relacionou com ninguém na vida. Mas um dia você descobre que o amor sozinho não sustenta absolutamente nada. Bom sexo, cumplicidade, lealdade e confiança são apenas alguns dos ingredientes que a gente joga no liquidificador de relacionamentos. E por mais que vocês se amem – não, eu não estou questionando a intensidade ou a veracidade do sentimento de ninguém – pode ser que falte o fermento do bolo. E aí, para os corajosos e menos acomodados, é chegada a hora de dizer adeus. A tão temida hora do adeus. De virar mais uma página no livro da vida. Terminar dói por causa da incerteza. Começar a escrever uma página em branco fere a nossa comodidade. Você nunca sabe o rumo que o seu livro vai tomar. Talvez, nos próximos capítulos, você tenha um encontro marcado com a solidão. Talvez as lágrimas sejam as suas mais fiéis companheiras durante a primeira semana. Talvez a depressão o convide para um espaguete com vinho branco. Mas se o seu relacionamento era na base do “se de dia a gente briga, de noite a gente se ama”, você certamente se sentirá mais leve. Não no primeiro dia. Nem no segundo. Nem no terceiro. Mas, sim, quando você estiver tomando aquela cervejinha com os amigos e não tiver mais que aguentar crises de ciúme pelo telefone. Ou quando você quiser colocar aquele vestidinho curto sem ninguém para censurá-la. Aí você notará que está tão leve que pode até voar. E vai dar uma volta. Se perder em outros corpos. Conhecer outras bocas. Se afogar em outros suores. Falar outras línguas. Se encaixar em outras conchinhas. Se enroscar em outros lençóis. E verá que a vida é muito bonita e muito curta pra perder tempo com essa ladainha de morde e assopra.
E que essa história de “entre tapas e beijos” só é divertida na música do Leandro e Leonardo. Pra vida real, uma parceria e dois chopes. Sem colarinho, por favor.
“Bruna Grotti”